quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

DIRECIONAL ESCOLAS - CONVERSA COM O GESTOR - EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A educação inclusiva é o reconhecimento dos direitos do ser humano, que por conter alguma limitação física, não pode ser privado de ir à qualquer lugar, assim como à escola. A educação é um direito de todos e educação inclusiva é o exercício da democracia. A pessoa com deficiência tem o direito de ir e vir, assim como qualquer outro cidadão, mas infelizmente as vias de acesso a lugares comuns como shoppings, praças, escolas, restaurantes e transporte público ainda são escassas e quando há, não são respeitadas como deveriam. Nem todo ambiente está devidamente preparado para receber a pessoa com deficiência. Ainda que existam Leis e Normas que regulamentam este direito, vemos muito descaso quando o assunto é acessibilidade.
A acessibilidade é regida pelo Decreto Federal 5.296/04 e a Norma criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, NBR 9050/04. O decreto estabelece o que e quem deve cumprir à lei de acessibilidade e a NBR estabelece como deve ser feita a construção ou adequação dos ambientes de um imóvel. Desde a calçada até o interior do imóvel, tudo deve ser adequado de acordo com a finalidade e uso de cada imóvel. Atualmente é importante garantir o acesso ao serviço e ao ambiente, diferente da antiga lei que previa apenas o atendimento ao serviço.
Para estabelecimentos de ensino no art. 24 o decreto diz:
“Os estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade, públicos ou privados, proporcionarão condições de acesso e utilização de todos os ambientes ou compartimentos para pessoas portadoras de deficiência (atualmente, pessoas com deficiência) ou com mobilidade reduzida, inclusive salas de aula, bibliotecas, auditórios, ginásios e instalações desportivas, laboratórios, área de lazer e sanitários.”
Portanto, a exigência da lei é ampla. O que a norma – NBR 9050/04 – vem orientar é como atender essa exigência com intervenções na arquitetura, corrigindo barreiras longitudinais e latitudinais. Além disso, existem também as orientações para conseguir dar o atendimento correto à pessoa através de profissionais treinados.
O arquiteto Eduardo Ronchetti de Castro diz que além dos projetos residenciais e comerciais, buscou um nicho de mercado e se especializou em projetos de acessibilidade. Desde sua formação acadêmica, viu a importância de pensar e trabalhar positivamente na intenção de proporcionar a inclusão às pessoas com deficiência, na atual situação urbanística em que vivemos. Ele explica que ao executar um serviço, antes de sua visita inicial, analisa-se a real necessidade do colégio, seja iniciativa própria do colégio ou por notificação do Ministério Público para atender a acessibilidade. Acontece, então, a visita inicial, onde o arquiteto fará a medição da escola, identificando os pontos aonde ocorrerão intervenções. Feito isto, e de posse destas informações, acontece um estudo inicial, que apresentará opções de realização do projeto, juntando a necessidade com o gosto do cliente e o estilo do arquiteto. Realiza-se o projeto e um organograma de execução das obras que será apresentado ao colégio e ao Ministério Público (quando necessário). Se aprovado, passa-se para a fase de execução do projeto. Os custos dependem muito da situação existente no imóvel, pois a adequação ocorre em áreas específicas e não em toda sua estrutura. Por exemplo, existem casos em que a adequação está ligada diretamente às sinalizações sem necessidade de obras civis, já em outros casos há a necessidade de instalação de elevador, construção de rampas, adequação de banheiros e então o custo acaba sendo um pouco mais elevado. Contudo é importante salientar que o que for considerado como custo de adaptação, na realidade é revertido como investimento, uma vez que com a escola apta a receber esses clientes, sua fonte de receita pode aumentar.

O colégio Nossa Senhora de Sion, situado em Curitiba – PR tem trabalhado arduamente para proporcionar a todos o direito à educação. A Coordenadora Pedagógica de Ensino Integral, Magda Lopes Bacellar, nos conta que a acessibilidade sempre foi uma preocupação e um desafio, pois a sede da instituição funciona em um prédio antigo. Num primeiro momento, as reformas foram para facilitar o acesso de pais e avós aos eventos da escola. Posteriormente, ocorreu a implantação de elevadores, rampas, e reformas dos banheiros. Mais tarde, com o início da faculdade, foi necessário o ajuste às normas estabelecidas.

Magda conta que no ano de 2013, iniciaram uma grande reforma para ampliar a área de educação infantil. Todo o projeto está dentro das normas de acessibilidade (NBR 9050), com rampas que levam ao piso superior, portas amplas para entrada de pessoas em cadeira de rodas e banheiros adaptados para crianças e portadores de necessidades especiais. O Colégio Nossa Senhora de Sion se preocupou também em fazer uma obra sustentável e, para que isso acontecesse, utilizaram materiais recicláveis e fizeram o reaproveitamento da água das chuvas. Um exemplo a ser seguido, de fato!
O Colégio Sion aplica a metodologia montessoriana e isso se reflete na parte estrutural e pedagógica. Tudo é diferente do convencional. A começar pelo material didático, voltado para o aprendizado sensorial, utilização de jogos e associações. Maria Montessori decidiu estudar as crianças com deficiência e sinalizou para o fato de que, mais do que clínico, o problema era pedagógico. Em 1898, expôs suas ideias sobre este fato no congresso pedagógico de Turim. Todo o método Montessori está fundamentado nas diferenças que cada criança apresenta para aprender e se desenvolver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário